17.11.09

Aviso aos Navegantes : Recesso


Caros amigos navegantes, por motivo de força maior, estarei fora do ar por tempo indeterminado.

Dica do Gerdal: Gabriel Versiani mostra suas composições nesta terça, no CCC, em noite de lançamento de primeiro CD


Repasso abaixo um relato muito interessante do violonista e compositor Cláudio Jorge, em que, entre outras considerações, sabemos do lançamento do CD autoral de Gabriel Versiani, seu filho, logo mais à noite, às 21h, nesta terça-feira, 17 de novembro, no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes. Com a qualidade do seu trabalho, Gabriel confirma a validade da máxima "filho de peixe..." - embora haja dela exceções, em outros casos. Lançado em 2007, "Sambaião", belo CD da cantora Letícia Tuí, também dá gosto ouvir por composições de Gabriel, como "Filha de Oxum" (que, aliás, nasceu "Filho de Ogum", como já disse Letícia em programa na Rádio MEC-AM). Em suma, o rapaz é do ramo e faz um trabalho que deve ser acolhido com interesse por quem gosta da nossa boa música popular.
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
***
Parece até que o mundo me ouviu, ou me leu, e tudo vem conspirando para que eu realmente passe o ano de 2009 comemorando os meus sessenta anos em várias festas diferentes.

Aconteceu em família, aconteceu no Sobrenatural, tá acontecendo toda quarta e quinta feira no júri de novos talentos do Carioca da Gema, vai acontecer dia 22 de novembro na feijoada do Bloco dos Cachaças.
Mas tem uma festa/presente muito especial que vai acontecer no próximo dia 17 de novembro lá no Centro Cultural Carioca. Meu filho Gabriel Versiani vai lançar seu primeiro CD.

É engraçado ver essa história acontecer com ele, história que eu vivi no tempo da vitrola quando era LP e eu lancei meu primeiro disco pela Odeon em 1980, ano em que nasceu o Gabriel.
Em 1980 as coisas eram ao mesmo tempo mais difíceis e mais fáceis, diferente de hoje onde as coisas são mais fáceis e mais difíceis.
Explicando: as gravadoras tinham os estúdios, a tecnologia, a prensagem, a edição e a distribuição.
Era um funil onde poucos chegavam para gravarem seus trabalhos. Havia espaço para o mais comercial e o mais cultural. As gravadoras vendiam discos populares para bancarem os da MPB e tudo mais. O samba bancou muito a edição de vários outros estilos.
Hoje as gravadoras estão mudando de negócio, qualquer um pode gravar um disco, há um home studio em vários quartos de empregada por aí. Prensar ficou fácil, estamos em plena era dos patrocínios, mas a divulgação e distribuição continuam sendo um privilégio das majors e grandes selos.
Não encontramos até hoje, para a produção independente, uma solução para isso neste momento em que, tudo indica, a mídia CD vai tirar o time. Só Deus sabe. Me desculpe aqueles que não acreditam nele.
Então Gabriel Versiani chega ao mundo do disco – era inevitável sendo filho de cantora (Cláudia Versiani) e músico - com um SMD autoral de um jeito que parece ser o do futuro daqueles que pretendem ser artistas nas próximas décadas. Me foi possível escolher a profissão de músico e viver exclusivamente dela até aqui. A partir daqui já começo a mudar a direção do navio que é a minha vida porque acho que essa atividade como profissão está acabando, mas essa é uma outra história.
Gabriel já começa na frente dividindo o palco com o computador na sua profissão de jornalista, com emprego, carteira assinada e tudo mais. É o futuro, e acho que ele é promissor para o meu filho.
Deixo de lado a modéstia e canto com a minha viola, meu filho manda bem nas duas posições.
Quem o acompanhar daqui pra frente verá. Quem já ouviu o disco se surpreende com um repertório não alinhado a qualquer modismo. É eclético, jovem, moderno, com uma inegável base de informação musical e cultural.
Tá bom. É o pai lambendo a cria, isso não vale né?
Então vamos combinar uma coisa: você vai lá no Centro Cultural Carioca no dia 17 de novembro conferir. Se você não gostar eu pago a tua conta. Fechado? Até lá.

PS: eu vou dar uma canja dividindo com ele umas canções do meu disco Amigo de fé.


Do fundo do baú: Ilustração - Saxofonistas

Dica do Gerdal : Tuninho Galante e Marceu Vieira nesta terça, no 7 em Ponto, em show realçado pela bossa de Roberto Menescal e Wanda Sá


Conheceram-se em 2000 no Bip Bip, bar-referência na resistência da boa MPB em Copacabana, e, de lá para cá, pouco mais de uma centena de composições. Há pouco, pude testemunhar, em outro show que ambos fizeram, a apreciável qualidade de parte dessa produção musical, com tônica no samba. Tuninho Galante e Marceu Vieira já estão "nos finalmentes" de um primeiro CD bem-vindo à nossa discografia de peso, de conteúdo, e, nesta terça-feira, 17 de novembro, são a atração da vez no projeto 7 em Ponto, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes. Um trabalho que vale a pena ser conhecido, sobre o qual reencaminho, com prazer, informação abaixo.
         Boa noite a todos. Muito grato pela atenção à dica.
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ROBERTO MENESCAL E WANDA SÁ são os padrinhos de MARCEU VIEIRA E TUNINHO GALANTE no projeto "7 em Ponto" desta terça-feira, dia 17 de novembro.
O projeto "7 em Ponto", em que um artista consagrado apadrinha outro ainda desconhecido do grande público, traz nesta terça-feira, dia 17 de novembro, duas duplas: Roberto Menescal e Wanda Sá apresentarão Tuninho Galante e Marceu Vieira.
 Menescal e Wanda Sá  trabalham juntos desde o início dos anos 1960 e, de lá pra cá, construíram  um trabalho muito consistente na história da música brasileira. Fazem parte de seu repertório grandes clássicos da bossa nova, revigorada pelas comemorações de seus 50 anos.
 Os compositores Galante e Marceu, mais conhecidos como produtor e músico, o primeiro, e jornalista, o segundo, têm investido, nos últimos dez anos, numa parceria de música e letra (assim mesmo, com esta divisão) já gravada por artistas como Nilze Carvalho, Ana Costa, Mariana Baltar e Clarice Magalhães, entre outros. Mas o que há em comum entre Menescal & Wanda e Galante & Marceu para justificar este show? 
 Há algumas coincidências. Menescal teve como parceiro mais constante Ronaldo Bôscoli, jornalista. Marceu Vieira também é jornalista de ofício, além de compositor. Roberto Menescal é guitarrista, arranjador e produtor. Tuninho Galante, idem. Ambos, Galante e Menescal, têm seu próprio selo musical. 
 Menescal, durante bom período da vida, afastou-se do dia a dia da música para se dedicar ao trabalho de executivo (na Polygran). Galante, também, dedicando-se aos ramos de comunicação e futebol. 
 O caminho dos dois se entrelaçou, inicialmente, em 1986, quando Galante, então guitarrista e arranjador da cantora Fátima Guedes, foi responsável pelo arranjo de "Bye, Bye, Brasil", de Menescal e Chico Buarque. A música fez grande sucesso na época. 
 Em paralelo ao trabalho com Marceu Vieira, Galante toca uma carreira instrumental e, nela, tem um projeto chamado "O Músico que Virou Música", no qual compõe temas dedicados a alguns músicos. Um dos temas compôs, livremente, há uns três anos, dedicado a Roberto Menescal. 
 Quando surgiu agora a possibilidade de Galante e Marceu escolherem padrinhos musicais, o nome de Menescal surgiu naturalmente, em função de todas estas “coincidências”. 
 No repertório, os grandes clássicos da bossa nova do próprio Menescal, além de músicas de Galante e Marceu que fazem parte do CD que acabaram de gravar e ainda em fase de mixagem. A música em homenagem ao padrinho, "Jardim do Menescal", será executada pela dupla pela primeira vez.
Mais sobre Tuninho Galante e Marceu Vieira
 Tuninho Galante e Marceu Vieira compõem juntos desde 2000. Em nove anos de parceria, fizeram mais de 100 músicas. Já foram gravados por artistas como Nilze Carvalho, Ana Costa, Mariana Baltar, Luciane Menezes e Clarice Magalhães, que brilham na Lapa carioca.
 Tuninho Galante é violonista, arranjador e produtor de grande experiência. Já atuou como músico, produtor e arranjador  em discos de artistas como Fátima Guedes, João Nogueira, Beth Carvalho, Marlene, Wilson Moreira, Candeia, entre outros. Nos anos 1990, montou uma produtora fonográfica e lançou o CD "Embaixada do samba". O disco lhe rendeu o Prêmio Fiat daquele ano e lançou sambas importantes, como "Nas asas da canção", de Ivone Lara e Nelson Sargento. Em 2005, Tuninho dirigiu e produziu o CD "Roda de samba no Bip Bip", com participações estelares do mundo do samba, como Aldir Blanc, Wilson Moreira, Nelson Sargento, Valter Alfaiate e Elton Medeiros, entre outros. Compõe ainda trilha para cinema (recentemente, compôs as dos documentários "Outras verdades" e  "Panair do Brasil"). Atualmente, é dono do selo Cedro Rosa, pelo qual lança ainda este ano o CD de estreia de Clarice Magalhães, cantora e percussionista da Lapa, e finaliza, como diretor musical, os projetos de um documentário em longa-metragem e um CD sobre partido alto,  também com grandes nomes desta vertente carioquíssima do samba.
 Marceu Vieira, além de compositor, é jornalista e autor de alguns livros. Trabalhou no "Jornal do Brasil", na "Tribuna da Imprensa", nas revistas "Veja" e "Época", e hoje é o segundo de Ancelmo Gois em sua coluna  no "Globo". Como jornalista, ganhou um Prêmio Esso por equipe, em 1988, e um Prêmio Imprensa Embratel, em 2001. Como escritor, publicou "Nada não e outras crônicas" (Editora Mauad, 1999); "Betinho, no fio da navalha" (com Franklin Martins, Fernando Molica, Emir Sader e Suely Caldas, Editora Revan, 1996); "Bip Bip, um bar a serviço da alegria" (com Francisco Genu e Luiz Pimentel, Edição Independente, 2001); e "Jornalistas que valem + de 50 contos" (coletânea de vários autores, Editora Casa Jorge, 2006). Como letrista, concentra sua produção mais constante na parceria com Tuninho Galante.

 

Dica do Gerdal : Robertinho Silva faz exaltação rítmica, nesta terça e quarta, no palco do Rival, com a sua fantástica orquestra de percussão


Em um dos seus discos, conheci um dos mais lindos registros instrumentais de "Aquarela do Brasil", com arranjo e execução simplesmente primorosos. O amigo Robertinho Silva é "o cara" em questão, um carioca de Realengo internacionalmente rodado, em shows e festivais de prestígio, que encarna, com sorriso de orelha a orelha, em qualquer palco onde se apresente, todo o engenho e a diversidade da percussão brasileira. Autodidata, gravou em estúdio e tocou em performances ao vivo com muita gente de relevo daqui e do exterior, como nos tempos iniciais de carreira com o Som Imaginário, conjunto em que teve como colegas músicos da qualidade de Wagner Tiso, Luiz Alves, Zé Rodrix, Fredera e Tavito, na primeira formação. 
         Estudioso da polirritmia nacional e há muito atraído por todos os nossos universos tímbricos, regionalmente fantásticos e com implicação folclórica, Robertinho Silva, ao criar e comandar uma orquestra de percussão, vem desenvolvendo uma atividade de subida relevância, já que, "pari passu", torna esse apelo cultural, por meio da música, um fator ainda agregador e de transformação social para jovens de comunidades carentes da zona portuária - e adjacências - do Rio de Janeiro. Para eles, portanto, uma orquestra de capacitação social e profissional viabilizada pelo Instituto Bandeira Branca, com patrocínio da Petrobras e apoio institucional das Secretarias de Educação do Município e do Estado, da Unesco e da Prefeitura do Rio. Com a participação especial de Raul de Souza, Carlos Malta, Roberto Mendes e Moacyr Luz, entre outros ("flyer" acima), tal trabalho será apresentado nesta terça e nesta quarta, 17 e 18 de novembro, no Rival, às 19h30, em shows certamente memoráveis e até emocionantes. É bom frisar que o êxito da Batucadas Brasileiras - Orquestra de Percussão Robertinho Silva também se apoia, especialmente, na atuação de um valioso colaborador da empreitada e dela supervisor: Carlos Negreiros, outro percussionista calejado e profundo conhecedor do nosso espectro sonoro de matriz africana.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica. 

Dica do Gerdal: Verônica Ferriani canta nesta terça na Modern Sound: voz cheia em CD de reconhecida qualidade (grátis)


Vinda da mesma cidade, Ribeirão Preto, em que há 20 anos reside uma elevada expressão das cordas brasileiras, o violonista e compositor José da Conceição - mineiro de Uberlândia -, Verônica Ferriani trocou o escritório de arquitetura pelo canto popular num movimento profissionalmente acertado. Pode o país ter perdido uma arquiteta de gabarito, mas a MPB certamente se fortaleceu com uma cantora de voz cheia, de reconhecidos predicados no palco e, agora, no disco, com o primeiro CD da carreira, no qual desabrocha com igual competência, haja vista a apreciação elogiosa de gente do ramo, abaixo. Também acima, com "flyer", e abaixo a informação sobre show que fará nesta terça, 17 de novembro, na Modern Sound, às 19h, com canja prevista da admirável Áurea Martins.

***
MODERN SOUND
Lançamento do CD 'Verônica Ferriani'
Part. especial: Áurea Martins
Dia 17/11 (terça), às 19h
R. Barata Ribeiro, 502 - Copacabana (RJ)
Informações: (21) 2548-5005
Gratuito

Saiba mais:
www.veronicaferriani.com.br
www.myspace.com/veronicaferriani


O CD 'Verônica Ferriani' na imprensa:

"Em princípio, é bom que se reconheça, ela é uma cantora que tem voz... segundo, e não menos importante, ela é criteriosa na escolha de canções e músicos."
Lauro Lisboa Garcia (O Estado de São Paulo)

"Continuando nosso papo sobre o ótimo disco da cantora paulista Verônica Ferriani... foi no Bar Frida Khalo, no Recife, que a ouvi cantando pela primeira vez. A recomendação era a melhor possível... Adorei."
Nélson Motta (Sintonia Fina)

"Cantoras que resgatam clássicos existem às pencas. Poucas o fazem com o talento da paulista Verônica Ferriani."
Sérgio Martins (Revista Veja)

"Uma boa cantora não se revela apenas pelos recursos vocais, mas também pela escolha de repertório. Em seu primeiro CD, a cantora paulista Verônica Ferriani soma as duas qualidades."
Ivan Cláudio (Revista Isto é)

"A paulista Verônica Ferriani esbanja carisma... Têm charme todas as notas que canta. Tudo o que escolheu para fazer é feito de um jeito particular, pleno de personalidade."
Aquiles Rique Reis (Diário do Comércio)

"Por sua trajetória em shows de gente graúda como Moacyr Luz e Beth Carvalho,... era de se esperar que Verônica Ferriani chegasse com um disco de samba... Ela mostra que é capaz de muito mais que isso... Golaço. Claro que também tem samba, mas com alguma coisa da pegada contemporânea da mistura, do groove... Uma química excelente pra sua estreia."
Patrícia Palumbo (Rádio Eldorado)

"A cantora paulista Verônica Ferriani, nome fortíssimo do circuito independente, lança enfim seu primeiro disco... Um dos melhores lançamentos dos últimos tempos."
Toninho Spessoto (Blog Acordes)

16.11.09

Caricatura de Dorival Caimmy e paisagem de Salvador


(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

15.11.09

Geraldo Viola, um mestre do fotojornalismo


Foi com imenso pesar que soube da morte do nosso querido amigo e craque da fotografia Geraldo Viola.
Por e-mail de amigos soube que a Missa de Sétimo Dia
será às 11 horas da próxima terça-feira, dia 17 de novembro,
na Igreja de São José à Av. 1º de Março (Centro)
,
ao lado da Assembléia Legislativa (Palácio Tiradentes)

Geraldo Viola foi da equipe da revista "O Cruzeiro" durante as décadas de 60 e 70.
Agregou seu talento na feitura do grande Jornal do Brasil dos anos 70 até o início dos anos 90. A partir daí se integrou à equipe da Assessoria de Comunicação da Firjan.
Fez de tudo em matéria de fotografia, mas o pessoal destaca entre seus principais trabalhos as fotos do lançamento das Apollos 11 e 13, a cobertura da mítica Copa de 70, onde o Brasil se transformou no tricampeão mundial de futebol. Seus trabalhos foram distribuídos pelas principais agências internacionais e suas fotos estamparam as páginas do Washington Post e a resvista Stern.
(As fontes da foto e do texto são o blog imagesvisions e a FIRJAN)

Do fundo do baú - Ilustração: "Santaterê"

14.11.09

2º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro homenageia Fortuna



Como já foi noticiado antes aqui (veja dica da Folha Seca), vai rolar a partir de segunda-feira, dia 16 (a partir das 19 horas) um baita Festival de Humor no Centro Cultural Correios . Desta vez, além dos premiados da vez, vai contar com uma exposição imperdível, a do grande cartunista e chargista Fortuna. Para mim, o maior chargista que pintou por estas paragens. Rola também uma exposição dos desenhistas franceses (200 anos do desenho francês e otras cositas mas...
O Centro Cultural dos Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, nº 20 - no Centro maravilhoso do Rio de Janeiro. Todos lá!!!

A Companhia Estadual de Jazz  está de volta ao TribOz - o segredo mais bem guardado da Lapa


A CEJ - Companhia Estadual de Jazz , grupo que às vezes também é chamado de Samba-Jazzificator System, está de volta ao TribOz, local muito apropriado para o tipo de som que eles fazem. Recentemente estiveram no Festival Internacional de Jazz de Montréal, e agora estão se concentrando no formato quarteto, com Sergio Fayne no piano, Fernando Clark na guitarra, Chico Pessanha na bateria e Reinaldo (aquele cara do Casseta & Planeta) no contrabaixo. Esta formação tem um repertório basicamente brasileiro (que até pode incluir algo de John Coltrane, mas desde que tenha um jeitão de João Donato).
Desta vez, eles vão tocar : Os Grilos, de Marcos Valle, Café com Pão, de João Donato, Recife's Blues, do Claudio Roditi, Razão de Viver, de Eumir Deodato, De Noite na Cama, de Caetano Veloso... Além de versões "samba-jazzificadas" de The Chicken (um tema do repertório de James Brown), ou de All Blues, do Miles Davis... E também alguns arranjos inesperados, juntando Tom Jobim com Jimi Hendrix e Villa-Lobos com Tim Maia...
Sábado, 14 de novembro, num dos espaços musicais mais interessantes do Rio de Janeiro, o TribOz, comandado pelo trompetista australiano Mike Ryan.
Abertura da casa: 20h30
Horário: 21h a 1h
Couvert artístico R$ 20,00.
TribOz - Centro Cultural Brasil-Austrália
 www.triboz-rio.com
 Rua Conde de Lages 19, Lapa
Estacionamento rotativo na Conde de Lages 44 – R$ 5,00 (20h30 às 1h)
Informações e reservas: 2210 0366 / 9291 5942
myspace.com/companhiaestadualdejazz

Dica do Gerdal: Roda dos Embaixadores da Folia neste sábado no Vaca Atolada - carioquice e samba de raiz no cardápio da alegria em novo bar no Centro


Materializando antigo sonho, o querido amigo Cláudio Cruz, rubro-negro e portelense, é dono de um estabelecimento recém-inaugurado no Centro e já bastante frequentado: o Vaca Atolada. Um novo bar, na área da Lapa, em que a tônica é o exercício alegre e cordial da carioquice, onde, além das refeições de sabor caseiro e dos deliciosos caldinhos e petiscos, servidos de segunda a sábado, a boa MPB, sobretudo o bom samba, marca presença permanente. Filho do pianista e compositor César Cruz (parceiro da esquecida Dora Lopes num samba de puro telecoteco, "Dicionário da Gíria"), o perseverante Cláudio é presidente dos Embaixadores da Folia, o bloco que mais têm saídas durante o carnaval e, antes dele, no primeiro sábado imediatamente anterior ao da festa, um animado desfile à meia-noite - comecinho de domingo, portanto - por ruas do Centro do Rio, intitulado O Pierrô da Madrugada..
           Àqueles interessados, os Embaixadores da Folia já se preparam para o próximo reinado de Momo e realizam hoje, 14 de novembro, a partir das 16h, a sua mui agradável roda de samba ("flyer" acima), seguida, das 21h em diante, de show do cantor e compositor Roberto Serrão, acompanhado pelo conjunto Cara da Gente. É isso aí, Cláudio! Boa sorte ao empreendimento! 
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Dica da Folha Seca

Recebi um e-mail do pessoal da livraria Folha Seca falando de uma exposição muito importante para a história do humor gráfico brasileiro - lá vai:

Nesta segunda-feira, 16 de novembro de 2009,

inaugura-se aqui ao lado da livraria, no Centro Cultural dos Correios,

a exposição do Fortuna, que é o homenageado este ano no Festival Internacional de Humor no Rio.

O curador da exposição é o nosso Cássio Loredano, que promete um susto para o público: "ver uma grande seleção do trabalho deste gigante reunida vai dar uma dimensão melhor da importância desse humorista de raça".



Então não se esqueçam:

segunda-feira, 16 de novembro de 2009,

a partir das 19h no

Centro Cultural dos Correios

rua Visconde de Itaboraí, 20

não é necessária apresentação de convite



Aproveitando: amanhã, sábado 14, continua a roda de Choro no Antigamente

(e também nossa promoção dos cd's da loja com 15% de desconto nesse dia)

Do fundo do baú- Ilustração : Hitler Tiranossauro

13.11.09

Do fundo do baú - Ilustração : Opostos

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero


(clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

12.11.09

Dica do Gerdal: A cantora Andréia Pedroso e o pianista Alfredo Cardim são grande atração desta quinta em "happy hour" na Uerj (grátis)


Pianista que já integrou, no Rio, no limiar dos anos 70, o quinteto de Haroldo Mauro Jr. num momento em que este trocou o teclado pela bateria (ambos, aliás, pouco depois, tentariam juntos a sorte nos EUA, chegando lá na mesma ocasião); mais tarde, fez parte, de volta às noites cariocas, do Fogueira Três e, mais recentemente, de novo morando nos EUA, do DNA Bossa Trio - juntamente com o baixista Nílson Matta e o baterista Duduka da Fonseca -, o conceituado Alfredo Cardim, já ensaiando nova e longa permanência no Rio, apresenta-se nesta quinta, 12 de novembro, às 18h, com uma sensível e ótima cantora, Andréia Pedroso, no Teatro Odylo Costa, filho, na Uerj (tel.: 2334-0048). Um "happy hour" da melhor qualidade.
         Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
 ***
A tempo: houve um erro de informação no "flyer" acima. A data correta é a de hoje, 12 de novembro, no endereço nele indicado, com início previsto do show para as 18h. 

Dica do Gerdal: Alex Ribeiro canta sambas próprios e recorda o pai, Roberto Ribeiro, em show nesta quinta na Lapa


Vejo a avenida enfeitada, florida, armada pra receber meu amor/será que ela vem com o mesmo sorriso que me conquistou na Rua do Ouvidor..." 
 

            Prematuramente retirado de cena na MPB, morto por atropelamento em 1996, Roberto Ribeiro caiu no agrado da moçada que revigora a tradição musical da Lapa, gente que, além de ter nele uma grande referência na interpretação mais simples do samba, acolhe nas rodas faixas de sucesso extraídas dos diversos elepês gravados pelo campista, da autoria de nomes que ele ajudou a projetar, como Nei Lopes e Wilson Moreira ("Só Chora Quem Ama"), Zé Luiz e Nélson Rufino ("Tempo Ê" e "Todo Menino É um Rei"), Serafim Adriano ("Ingenuidade"), Jorge Lucas ("Propagas" - este irmão de Liette de Souza, também compositora, parceira e viúva de Roberto) e Flávio Moreira ("Amor de Verdade", em parceria com Liette). Quase todos com passagem por alas de compositores de escolas de samba, universo muito familiar ao próprio Roberto Ribeiro, desde a Amigos da Farra, do chão fluminense de origem, até o Império Serrano, no qual se notabilizou como puxador de sambas-enredo, como os vitoriosos na quadra "Alô, Alô, Taí Carmen Miranda", em 1972, e "Brasil, Berço dos Imigrantes", em 1977, este composto por ele com o supracitado cunhado. "Estrela de Madureira", de 1975, em intenção da vedete Zaquia Jorge, não chegou aos alto-falantes da "avenida", mas ganhou o país numa gravação empolgante e ainda hoje muito lembrada. Anterior a todos esses e destacado na introdução destas linhas, o atraente "Eu, Avenida e Você", com registro fonográfico de 1971, é samba que consta do pau-de-sebo "Quem Samba Fica... - Adelzon Alves Mete Bronca e a Moçada do Samba Dá o Recado", hoje um raro elepê produzido por esse veterano e notável radialista. A menção na letra à Rua do Ouvidor não terá sido à toa, já que lá um pernambucano apaixonado por Teresópolis, Paulo Debétio (parceiro de Jovenil Santos nessa composição e muito ligado, em outros bons sambas, a Paulinho Rezende), trabalhou, antes da atividade musical, numa joalheria. 
            Com "flyer" acima e "release" abaixo, repasso informação relativa ao show que Alex Ribeiro, herdeiro da qualidade artística do pai e como ele, inicialmente, jogador de futebol, apresenta hoje, 12 de novembro, no Estrela da Lapa, às 22h, com participação da grande cantora, também imperiana de fé, Luíza Dionízio.
           ***
Turnê 2010 - Todo menino é um rei
Alex Ribeiro
Herdeiro de um talento que marcou toda uma geração de sambistas, hoje assume sua criação artística apresentando suas composições e homenageando o grande repertório de seu pai que emociona, até hoje, o público e a todos aqueles que gostam de samba.
Como ele, o Brasil vem conhecendo uma nova geração da Música Popular Brasileira que reverencia seus pioneiros e homenageia seus grandes mestres. Vem reconhecendo o talento da “segunda geração”, dos filhos que assumem que o palco faz parte do sangue e divulgam sua própria personalidade artística.
Alex Ribeiro vem agora, abençoado por seus padrinhos Jorge Aragão e Elza Soares, depois de grandes shows que contaram com as presenças de Monarco, Délcio Carvalho, Dona Ivone Lara, Neguinho da Beija-Flor, Diogo Nogueira, Nelson Sargento, entre muitos outros, convidar seus parceiros de vida para a turnê de 2010, “Todo menino é um rei”, a cantarem os grandes sambas imortalizados pelos mestres da nossa música.
Para esta turnê, Alex Ribeiro deseja dividir o palco com essa nova geração, seus amigos e parceiros, e com os grandes nomes do samba e da MPB, para uma linda homenagem ao samba!
Abertura da turnê: Todo menino é um rei
Participação especial: Luiza Dionizio
Convidado: Dj Cyro Novello
12 de novembro
22h
Estrela da Lapa
Av. Mem de Sá, 69 – Lapa/ RJ.

Mais um brinde: Uma charge de João Zero

Mal estar nos gramados


Quando a gente começa a discutir mais a arbitragem do que o futebol que os times estão jogando, alguma coisa está acontecendo de ruim. O futebol é uma modalidade de disputa que tem regras, uma sublimação da guerra, uma violência domesticada, ou como diria Norbert Elias, uma antítese do vale-tudo, um grande passo no processo civilizatório. O grande sociólogo talvez tenha esquecido que é arte também - uma arte ameaçada pelo relevo da interpretação das jogadas.

11.11.09

Anuário do Saci , mais informações


Botei no ar material de divulgação do Anuário do Saci, mas lamentavelmente esqueci de dizer que o nosso craque do cartum, João Zero está nele. Zero fez os desenhos relativos ao mês de agosto . O Anuário do Saci, na verdade é uma agenda Trienal que pode ser usada em 2010, 2011 e 2012.

Vou botar o texto todo sobre o lançamento:

Em terra de Saci, "raloín" não tem vez e até o
anuário é folclórico. No Anuário do Saci e seus
amigos, a cada mês você conhecerá um pouco de
personagens e lendas do folclore brasileiro, além de
muitos acontecimentos que marcaram cada um dos dias do nosso
calendário. Uma das histórias é a do deus Jurupari,
filho e embaixador do Sol, que sumiu após nascer da virgem
Tenuiana, e só reapareceu quinze anos depois, acabando com
o poder das mulheres que governavam nossas terras.
Lendas regionais não ficaram de fora, como a da Cotaluna,
nossa sereia paraibana, que apesar de também ter os mesmos
encantos sobre o sexo masculino como as sereias
tradicionais, só se transformam na estação chuvosa,
sendo mulheres normais no resto do ano.
Essas e outras lendas, contadas com o humor leve e a
narrativa envolvente de Mouzar Benedito e acompanhadas pelas
ilustrações de Ohi e Zero, recuperam a mitologia
brasileira e fazem-nos aprender que nossa cultura é muito
mais rica do que pensamos.

Além de mostrar cada uma de nossas lendas, esta Agenda tem
a peculiaridade de ser útil por 3 anos, trazendo em cada
mês os três calendários correspondentes
(2010/2011/2012). Fatos importantes e marcantes da nossa
história foram também cuidadosamente selecionados e aqui
estão publicados, para que sejam relembrados.

Anuário do Saci e seus Amigos
Mitologia Brasílica
(Agenda Trienal – 2010/2011/2012)
Editor: Renato Rovai
Texto: Mouzar Benedito
Ilustrações: Ohi e Zero
Projeto Gráfico: Carmem Machado
Revisão: Mauricio Ayer
Edição limitada
1ª Edição - lançamento outubro de 2009
São Paulo – 2009
Editora Publisher Brasil

Do fundo do baú : Brasil e a Sinuca

Show de Rui de Carvalho e Samba na Cabeça no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola nos dias 13 e 14 -Sexta e Sábado


Noel Rosa fará 100 anos em 2010. O poeta continua mais vivo do que nunca. Agora, nos dias 13 e 14 de novembro de 2009, sexta e sábado, às 19h, Rui de Carvalho, e o grupo Samba na Cabeça (Herivelto Barros – violão, Júlio Rabello – cavaquinho, Saulo Dansa – Trompete, Batatinha - banjo e percussão, Marco Neves e Paulinho da Cuíca – percussão, e como convidado especial, o baixista Flavio Pereira que fez os arranjos e o compositor Zé Arnaldo Guima que dará uma “canja”. O repertório será Noel Rosa, João Nogueira,  Paulo Cesar Pinheiro e outros bambas. O show será gravado e filmado. O Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na rua Conde de Bomfim, 824 – Tijuca (esq. Coma a Rua Garibaldi) e a Classificação é livre.

10.11.09

Mais uma bacalhoada do Filósofo Sandaum


Até que o filósofo andava meio sumido, metido que estava nas areias das praias do Rio, mas não se aguentou e veio dar uma filosofada, depois que leu no jornal a barbaridade do caso da menina da mini-saia na faculdade.

Dica do Gerdal: A cantora Letícia Carvalho lança o primeiro disco de carreira nesta terça-feira em show no CCC


Após estudar sociologia e formar-se em jornalismo, Letícia Carvalho reencontrou-se com uma atividade artística exercida ainda menina: o canto.  Do coro infantil até o CD "Essa Não Sou Eu" - lançado nesta terça, 10 de novembro, às 21h, no Centro Cultural Carioca -, ela foi vocalista de Alcione, quando em turnê da Marron pelo país com o disco "Valeu"; integrou o grupo Celacanto, que acompanhou Joyce em vários shows; "crooner" do Batacotô em apresentações em Caracas; e protagonizou o musical "L`Amour", cantando sucessos inesquecíveis de Edith Piaf, como "L`Accordéoniste", "La Vie en Rose" e "Non, Je Ne Regrette Rien", o que mais tarde se repetiria em shows próprios. Reunindo canções do seu agrado, sem ainda definir um estilo, como diz, a afinada Letícia, filha de músico e, ela mesma, professora de canto, traz no seu primeiro CD, por exemplo, composições de Chico Buarque ("Mil Perdões"), Cláudio Lins ("Teatrinho") e Ivan Lins ("Emoldurada", na bela parceria com Celso Viáfora). Produção e arranjos do multi-instrumentista carioca de cordas João Gaspar, presente entre os gabaritados músicos desse show de logo mais à noite no CCC ("flyer" acima).
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Dica do Gerdal: Sanny Alves canta nesta terça-feira em Copacabana - novo CD com brilho solar na interpretação



"Sunny" na palavra, no sorriso, no canto e no gesto, a bela morena Sanny Alves é presença ensolarada na noite carioca e também na nossa discografia popular, como já demonstrou no primeiro CD - "Da Cor do Pecado", em 2003, produzido pelo músico paulista Vasco Debritto e lançado apenas no Japão - e volta a demonstrar no segundo, "Samba e Amor", pela Fina Flor, com produção e arranjos do competente Ruy Quaresma. Este um disco com lançamento nesta terça-feira, 10 de novembro, às 19h, na Modern Sound, em Copacabana ("flyer" acima), em show de que também participarão, especialmente, o contrabaixista Luiz Alves, referência no acústico nacional e pai da moça, e o compositor e escritor Nei Lopes, de quem recomendo - não apenas como uma história de vida, mas também pelas reflexões que suscita - uma biografia muito bem escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino para a recente série Retratos do Brasil Negro, da Selo Negro Edições.      
       Inicialmente revelada, em 2002, em faixas de "Saudade Demais", CD que marcou o retorno do grande Arthur Verocai ao disco solo após longa ausência, Sanny teve, no ano passado, após outros espetáculos em teatro, um desempenho bastante apreciado e aplaudido como Elizeth Cardoso na peça "Divina Elizeth". Brilho próprio, portanto, para uma carreira bem-sucedida aqui e ensolarada até mesmo no exterior é o que não lhe falta: o "the Sanny shine in", bem brasileiro, aliás, na iluminação interpretativa das canções.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Mais um brinde: Um cartum de João Zero

9.11.09

Ainda existem muitos muros no mundo


O que está faltando é RUMO!

Do fundo do baú: Ilustração: Paz?

8.11.09

Centenário de Nascimento de Beatriz Vicência Bandeira Ryff


(Este blogue tem a honra de publicar o texto de Maysa Machado sobre esta adorável guerreira que é Beatriz Vicência Bandeira Ryff. Recebi o presente de ter convivido com seu filho Vitor Sérgio Ryff, que foi meu grande amigo.)
Dona Vivi faz cem anos!
O Leblon é um bairro claro, o sol entra cedo pelas frestas das cortinas de tiras de bambu... A brisa lhe faz companhia. Depois, um vento encanado passeia, sem pedir licença, pelo longo corredor. É comum ouvir-se o estrondo das portas... Que nos tira o sossego.
 
Está quieta em seu canto. Deitada no quarto, a cabeça no sentido contrario a porta de entrada, voltada para as ondas do mar.
O espaço pouco que ocupa... menor fica com o passar do tempo. Não diria que definha.
Desvanece.
Está quase nuvem. Branquinha, como num céu bem azul e luminoso, independente do movimento dos pássaros, do farfalhar das palmas dos coqueiros, lá onde o asfalto se perde em areias e depois vira mar imenso.
Seu sorriso não aflora constante; nem há sinal das angústias tantas sentidas pela vida, nas muitas lutas que travou.
Seu rosto é expressivo, contém viço e boniteza. Rugas? Pele sulcada por elas? Não, ali não residem, não fizeram nenhum estrago no semblante, ainda, altivo.
Está serena, desligando-se aos poucos do fio - terra que a mantém viva.
Que fio será esse? Cada um tem o seu.
O dela dura um século. Medem-se os sonhos, perdas, dores... Mede-se, também, uma invencível determinação tecida em poesia e alguns travos de amargura.
Tem a aparência cuidada. A dignidade a acompanha, pois, nada pede ou precisa.
As sombras lhe cobrem, dia e noite, o horizonte, mas disso não reclama. Uma vez que escolheu a treva progressiva.
No silêncio vive. Dá-nos a impressão que assiste sua história, numa tela em que as imagens, antes indeléveis, agora se esfumam, com suavidade e, não deixam qualquer possibilidade de serem mostradas de novo.
Há economia dos movimentos... É preciso não mexer com quem está quieta! Frase ouvida várias vezes, nos últimos anos, acompanhada de um sorriso maroto.
                                                              
Nos primeiros anos de convivência, minha curiosidade era aguçada, por uma faiança pendurada à porta de seu quarto. O ladrilho, em fundo branco, transcrevia um adágio italiano. Nele, a mulher vista sob o interesse masculino, relacionado às suas idades - dos 20 aos 60 – e comparando-as aos 5 continentes.
Um convite perigoso, quase um desafio para as mais jovens; desdenhava o passar dos anos, com encanto.
 
Nós duas aprendemos que o tempo pode ser cultivado.
Em nossos encontros li, para mútuo deleite, uma edição das Cartas de Graciliano Ramos - seu querido amigo, as crônicas leves e bem-humoradas de Rubem Braga, os textos densos de Nélida Piñon, Lygia Fagundes, Cecília Meireles.
Em todos esses momentos acrescentou reflexão lúcida, fresca, interessante.
Com imensa sensibilidade respirou o ar delicado de seus poemas e, renovada, os recitou de cor.
Por gosto cantamos.
Antiga professora de música e de técnica vocal, do Conservatório Nacional de Teatro, foi relembrando canções do folclore amazônico, as de Waldemar Henriques, como Tamba-Tajá; as canções imperiais na obra de Carlos Gomes - Tão longe de mim distante; as Bacchiannas de Villa-Lobos; algumas canções praieiras de Caymmi. E, da MPB, do seu preferido Paulinho da Viola, repetiu momentos cantarolando que Viver não é brincadeira não...
 
Muito tenho aprendido com as histórias e lições de sua vida. Da militância comunista, às prisões políticas, ao exílio em dois períodos distintos de ditadura em nosso país.
Gosto de sua poesia. E, acho pitoresca sua opinião irredutível, prefere ser chamada POETISA e jamais poeta!
 
Nossa intimidade foi uma construção difícil. Um tempo longo nos atravessou, mas o mesmo tempo trouxe-nos como fruto maduro, em nossas vivências, o que pode ser chamado: apaziguamento.
Tornamos-nos amigas.
 
Vivi, Beata, outros apelidos tem, mas é no seu próprio imaginário a Beatrice, de Dante. Faz pouco o declamava no original.
 
Dichoso cumpleaños, señora!
Mamá hace cien años.
 
 
 
 
• Beatriz Vicência Bandeira Ryff, carioca, do Méier, nascida em 08.11.1909. Uma mulher brasileira que se dedicou à causa da transformação política e social em seu país. Participou de distintos momentos históricos pela luta a favor das liberdades democráticas, dos Direitos Humanos e, por mais de oitenta anos, o fez a cada dia.
•  Presa política no período da ditadura Vargas, companheira da Cela Quatro com Nise da Silveira, Maria Werneck e outras corajosas companheiras. Inclusive Olga Benário.
• Exílios na Argentina, Uruguai (1936/37). Asilo na Embaixada da Iugoslávia 1964. Exílio na França - durante o Golpe de 64/67
• Vivi – apelido de criança, dado por seu amado pai. Alípio Abdulino Pinto Bandeira, militar do exército companheiro do Mal. Rondon.
      Perguntei se gostava de ser chamada assim. Respondeu com um sorriso feliz no rosto:
      - Gosto muito!
      Uma pausa e, acrescenta:
      - Não esqueço o que fui!
• Beata – apelido dado por seu marido jornalista Raul Ryff, falecido em julho de 1989.
• Uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas.
• Teve três filhos. Vitor Sérgio, jornalista (falecido), os gêmeos: Luiz Carlos (Físico) e Tito Bruno (economista).

 
Santa Teresa, novembro de 2009.
 
Maysa Machado
(socióloga, militante política e sua ex-nora).
 

Dica do Gerdal:Jorge Roberto Martins recebe os amigos para um bate-papo sobre choro, neste domingo, em Paquetá


Àqueles que dispuserem de tempo para uma ida, neste domingo, 8 de novembro, a esta ilha encantadora que é Paquetá, A Pérola da Guanabara em antiga e ainda vigente antonomásia, segue, com "flyer" acima, uma ótima opção de entretenimento cultural: um bate-papo sobre choro com o jornalista Jorge Roberto Martins, filho do grande compositor Roberto Martins (que completaria 100 anos de idade neste 2009) e um profundo conhecedor do assunto. " E la nave va..." para mais uma jornada de descontração e alegria sob um céu de flamboiãs.
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

7.11.09

Difícil de engrenar!!!!


Tá difícil de engrenar nesse blogue. Culpa da realidade que anda rápida demais. Primeiro morre o centenário Lévi-Strauss que me fez perder noites decifrando seus livros.Prometi digitar uma antiga resenha sobre ele, mas nem deu tempo de começar... Caetano Veloso chamou nosso Presidente de analfabeto no Estadão... Pô Caetano, que preconceito é esse com o pessoal que não sabe ler??? Ia escever alguma coisa sobre isso e bati de cara com as comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, com U2 e tudo mais. Claro que tenho coisas a falar sobre esse evento que marca o fim do Século XX, segundo Hobsbawn...mas necas de escrever sobre o Trabant (é assim que se escreve?) atravessando a muralha...De repente vi o documentário "This is it" que registra os últimos momentos no palco desse gênio que foi Michael Jackson - claro que tinha coisas a dizer sobre , mas aí morre Anselmo Duarte, o único brasileiro a ganhar a "Palma de Ouro" em Cannes com um baita filme : "O Pagador de Promessas"- foi um cara que sofreu muito preconceito e eu tinha coisas a dizer também sobre isso. Enquanto tudo isso rolava, nas ruas os termometros marcavam 40 graus. Nesse calor brutal que impede Tico de falar com Teco e derrete catedrais Nelson Rodrigueanas, eu confesso que perdi o rumo...mesmo assim terminei a leitura do excelente livro de Mario Vargas Llosa, "Guerra do Fim do Mundo"que fala de Canudos, o que me fez enfentar a pedreira que é "OS Sertões" de Euclides da Cunha. Canudos é um tema que me persegue e pretendia falar algo a respeito, mas quem diz que eu consigo traçar pelo menos um esboço?... Na tarde do sábado, depois da feira, sentei em frente da TV e vi o grande Vasco da Gama voltar para a primeira divisão... tudo numa velocidade de deixar Paul Virilio sem fôlego e aí apareceu uma notícia sobre um concurso de Garota da Laje,então corri para perto do ar-condicionado junto com minha mulher que lá estava refugiada e esperei o mundo dar uma paradinha...Tá ou não tá difícil de engrenar???

Do fundo do baú: Ilustração "A sombra do livro"


Com o calor que está aqui no Rio, juntar uma idéia com outra é quase impossível, digitar então... Por enquanto boto no ar uma ilustra antiga.

6.11.09

Feliz explicação


Acho que está na hora de explicar aos amigos navegantes a razão do meu recesso. A procura das palavras certas e a emoção me travaram, mas agora acho que vai :
Fui até Paris para participar da cerimônia de casamento de meu querido filho. Ele casou com uma linda, doce e corajosa mulher. Espero que sejam felizes nesse novo caminho que escolheram. El camino se hace caminando... pelo menos me parece que eles pensam assim...
Tudo foi muito bacana nesse tempo que entrei como que flutuando: a solenidade na Prefeitura ( lá eles casam na sede da Prefeitura do bairro onde moram), a surpreendente festa numa cidade próxima de Paris, o nosso curto e agitado convívio desses dias. Fiquei muito emocionado e feliz por poder estar junto de meu filho nesse momento, nós que habitamos continentes separados por um Atlântico, esse mar grande que foi atravessado por nossos ancenstrais para buscar a sobrevivência que uma Europa( naquele tempo) famélica não conseguia dar. Sempre tive muita dificuldade de me despedir desse meu filho, o "meu garouto", mas agora, meu coração se tranquilizou apesar da diferença do fuso horário.
Voltei muito cansado e não consegui botar ordem na bagunça deste blogue.
Do reencontro com a cidade Luz acho que vai brotar uma série de croniquetas, só preciso superar o calor brutal desse trópico que me derrubou logo que cheguei e me entristece a cada dia que passa.

Dica do Gerdal: Fernando Caneca é o convidado de hoje do Música & Prosa, show com bate-papo conduzido por Amaury Santos em Niterói


Muito bem conceituado na praça, acompanhando em gravações e turnês nacionais e internacionais atrações de massa, como Gal Costa, Emílio Santiago, Simone, Ivan Lins, Marisa Monte e Vanessa da Mata, o guitarrista, violonista e compositor Fernando Caneca é um pernambucano que, ainda adolescente, veio morar em Niterói, onde principiou o seu contato com a música por meio do choro. Admirador dos solos de Wes Montgomery, ainda em 1984 participou da Orquestra de Violões da UFF, regida por Francisco Frias, destacando-se na carreira por tocar com desenvoltura ritmos bem diferenciados entre si. Com Cesinha, à bateria, e Fernando Nunes, ao baixo, integrou o trio instrumental Flenks, com CD lançado em 2000, e, quatro anos depois, fez um excelente CD solo, "Visitando Canhoto da Paraíba", pela Deck Disc, bem clareado por luz própria na releitura de composições desse mestre paraibano do "violão pelo avesso". Mais recentemente, vem abrilhantando os "shimbalaiês" da talentosa Maria Gadu em shows diversos da cantora e compositora paulistana. Ele é o convidado desta sexta, 6 de novembro, às 22h, do Música & Prosa, um show com bate-papo comandado pelo radialista Amaury Santos, em Niterói ("flyer" acima).
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

5.11.09

Dica do Gerdal: Livro sobre Victor Biglione, escrito por Euclides Amaral, é lançado nesta quinta em Copacabana


Escrevo esta dica sobre Victor Biglione "no clima", pois ouço o magnífico CD "Uma Guitarra no Tom", em que ele extrai do seu instrumento desenhos harmônicos de intensa beleza para prestar o seu tributo - este, sim, não oportunista, mas agregador de valor e inventiva - à obra de Antonio Carlos Jobim, o nosso maestro soberano. Muito bem secundado, por exemplo, por Sérgio Barrozo, ao baixo, e André Tandeta, à bateria, na recriação personalíssima, quase "coautoral", de temas como "Mojave", "Chovendo na Roseira" e "Fotografia", Victor faz um disco resumidor de toda a sua sensibilidade, à flor das cordas, e enorme capacidade de execução. 
        Nascido em Buenos Aires, mas entre nós desde os seis anos de idade e aqui naturalizado, Victor é o músico estrangeiro que mais tocou, na história da MPB, em gravações e shows de artistas nacionais ("flyer" acima). Teve a carreira revisitada pelo poeta Euclides Amaral no livro "O Guitarrista Victor Biglione & a MPB", lançado nesta quinta-feira, 5 de novembro, na Livraria Bolívar - Rua Bolívar, 42 (tel.: 3208-3600), em Copacabana -, a partir das 19h. Uma boa pra logo mais.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Do fundo do baú -Caricaturas que eu fiz: Indira Gandhi


Enquanto eu não escrevo sobre o que provocou o meu recesso e não digito o texto sobre Lévi-Strauss que eu prometi, deixo aqui uma caricatura que retirei do fundo do baú - a de Indira Gandhi depois do atentado.
NR: Gripe, Rio 40 Graus...ninguém é de ferro!!!
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)